“Qual o papel do cidadão brasileiro na promoção da saúde mental e na prevenção ao suicídio?”

“Qual o papel do cidadão brasileiro na promoção da saúde mental e na prevenção ao suicídio?”

Júlia Zerbini (2º – Alfa) 2020

Entre as características gerais do Romantismo, a que se faz mais presente na segunda geração do movimento é a evasão da realidade, na qual os heróis românticos encontraram na morte uma solução para seus problemas existenciais. De maneira análoga, no Brasil, se observa uma alta taxa de jovens que veem o fim da própria vida como a única forma possível de cessar seu sofrimento. Sendo assim, torna-se necessário discutir como a ausência de empatia da sociedade e a busca pela “autorrealização” ocasionam tal problemática. 

Em primeiro plano, cabe analisar a adaptação cinematográfica de 2019 “Coringa”, no qual Arthur Fleck, um palhaço mal sucedido, sofre do Transtorno da Expressão Emocional Involuntária, cujo aspecto marcante se constitui na risada incontrolável. Ademais, o personagem exibe sintomas de depressão, distúrbios alimentares, alucinação e esquizofrenia. Dessa forma, a figura referida é negligenciada e ignorada por sua condição. Fora das telas, a apatia da sociedade por portadores de doenças psicológicas se mostra ainda presente, visto que tais problemas são tratados como desnecessários. Como reflexo disso, a OMS – Organização Mundial da Saúde – afirmou que, em 2012, o autocídio tornou-se a segunda maior causa de morte entre indivíduos de 15 a 29 anos. 

Outrossim, faz-se lúcido expor a relação entre o desenvolvimento da era moderna e o autoextermínio. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a falta de solidez no capitalismo, proveniente da globalização e dos avanços tecnológicos, se caracteriza pela maior multiplicidade de escolhas disponíveis para manifestar toda sua potencialidade. Desse modo, grande parte dos jovens acabam se frustrando na busca pela autorrealização e consequentemente tornam-se suscetíveis às doenças psicológicas. 

Portanto, evidencia-se que para a prevenção ao suicídio se consolidar no Brasil, o Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, deve realizar campanhas educacionais e informativas, direcionadas especialmente para os adolescentes, que os incentive a buscar ajuda, bem como, alertar a sociedade sobre as consequências do descaso com as doenças mentais. Além disso, deve-se articular uma estratégia nacional com a finalidade de oferecer atendimento holístico por meio das Unidades Básicas de Saúde. Dessa maneira, a conscientização e a possibilidade de acesso ao apoio profissional terão como finalidade a redução do problema. 

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